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quinta-feira, 14 de março de 2013

O 'personal trainer' - conto gay - última parte



            Saí do trabalho a correr, quase não acreditava na vontade que tinha de ir para o ginásio. Sozinho há quase um ano, depois de uma relação complicada e que não terminara da melhor forma, era a primeira vez que eu me sentia realmente atraído por alguém. Conhecera bastantes pessoas durante esses meses… nunca fui do tipo ‘casto’, nem nunca tive grandes dificuldades em despertar o interesse num homem, mas o meu ‘personal trainer’ foi o primeiro que me deu vontade de conhecer melhor, senti-o desde que o vi no hall do centro comercial a distribuir os folhetos e me dirigiu o seu primeiro sorriso.

            Fugira mais cedo e desta vez não hesitei em entrar. Empurrei a porta com a mesma fúria da tarde anterior e sorri ao encontra-lo no mesmo sítio, atrás do balcão da receção, desta vez a falar com a rececionista. Não me sorriu imediatamente, como tinha feito, mas a sua expressão iluminou-se e o seu olhar intenso deixou-me ainda mais satisfeito que um sorriso. Aliás, o seu fantástico sorriso veio logo depois.

            - Boa tarde, Zé Maria… pronto para começar?

            - Não! – respondi categórico – primeiro vou-me sentar no bar a tomar um café e a relaxar um bocadinho, depois o Manel vai-me explicar o seu plano para mim e só então é que decido se fico ou fujo!

            - Não me parece do tipo de fugir! – interveio a rececionista, que para mim devia ser a relações públicas por ser ela a pessoa realmente simpática ali

            - Está nas mãos desse senhor! – apontei para o Manel, piscando-lhes o olho antes de entrar na sala dos aparelhos

            Mais cedo que nos dias anteriores, encontrei apenas duas senhoras a sair. Não vi mais ninguém. Descobrira a hora ideal para fazer ginástica ali. Fui direto ao balneário para ver se me despachava antes que chegasse alguém, assim poderia ter a atenção do ‘personal trainer’ só para mim.

            Estava apenas de boxers, ainda com as calças do fato de treino na mão, quando o Manel entrou. Sorriu-me normalmente, mas bem vi os seu olhar a percorrer-me o corpo… fê-lo disfarçadamente, ou tentou pelo menos, mas não foi o suficiente para que eu não percebesse que se tratava de um olhar de análise que era mais que um olhar profissional.

            Fingi não me ter apercebido de nada e falei com ele normalmente.

            - Estou quase pronto! – avisei – mas ainda me dói esta zona aqui…

            Passei a mão lentamente no abdómen e vi-o engolir em seco. Se tinha alguma dúvida relativamente ao seu interesse, a sua expressão dissipou-a.

            - Isso é normal! – respondeu meio atabalhoadamente – os abdominais que fez ontem servem para trabalhar essa área!

            - Pois claro, mas eu não vim cá para ter dores! – resmunguei vestindo as calças

            - Um bom corpo exige esforço! – foi o seu comentário

            - Eu não tenho exatamente um mau corpo! – fixei-o nos olhos achando que estava a gozar comigo

            - Não! – disse imediatamente num tom de voz  que que era de simples constatação e não deixou duvidas à sua sinceridade – pelo contrário!

            - Nunca andei no ginásio porque não é muito o meu estilo, mas corro todos os dias, ando de bicicleta e gosto de andar a pé… faço caminhadas quase todos os fins-de-semana!

            - Isso é ótimo! Quase que não precisava de vir ao ginásio! – sorriu simpaticamente

            - Vim porque já andava a pensar nisso quando o encontrei a distribuir os folhetos… gostei de si e isso fez-me decidir! – sorri ao vê-lo corar perante o meu olhar intenso e as minhas palavras

            - Ainda bem que veio! – acabou por dizer depois de um segundo de hesitação

            Gostei do que ouvi. As suas palavras e a sua expressão fez com que as horas de esforço dos dias anteriores tivessem valido a pena.

            - Enquanto me continuares a tratar bem, vou continuar a vir!

            Ele corou mais ainda… desta vez desviou os olhos sem me conseguir encarar… talvez por o ter tratado por ‘tu’, talvez por… o que eu sei é que tive vontade de o agarrar e o beijar ali mesmo.

            Acho que se apercebeu da minha expressão de desejo porque falou quase num murmúrio.

            - Este é o meu local de trabalho! – disse num tom que era quase de súplica

            - Eu sei isso muito bem! Então vamos trabalhar…

            Sorri, contornando-o para sair do balneário para a sala dos aparelhos. Instalei-me na bicicleta esperando por ele. Apareceu pouco depois, ainda um pouco… 'sem jeito', como dizem os brasileiros. Durante todo o tempo em que pedalei estive a ouvi-lo atentamente sobre os exercícios que tinha de fazer, os aparelhos que tinha de usar e os efeitos que teriam nas diferentes partes do meu corpo.

            - Alguma pergunta? – sorriu-me no final, parecendo já mais descansado por eu o ter poupado a comentários mais ariscos

            - Queres tomar café comigo quando saíres?

            O tipo abriu os olhos de espanto… bastou um segundo para ficar cor de tomate… atrapalhou-se, hesitou, mas acabou por responder.

            - Eu só saio às 11! – disse com alguma insegurança

            Por um momento achei que tinha sido rápido demais e o tinha perdido.

            - Isso é um sim ou um não? - perguntei confuso

            - É que eu tenho de tomar duche antes de sair e depois comer qualquer coisa, nunca fico pronto antes da meia noite!

            - E se eu te oferecer a ceia?

            - És sempre assim tão direto? – a sua surpresa parecia genuína

            - E persistente, mas só quando quero alguma coisa…

            - Eu gosto disso! – voltou a sorrir timidamente – e queres que vá cear contigo?

            - Convidei, não foi? Nunca tive muita paciência para rodeios!

            - Já vi que não!

            - Aceitas ou não?

            - Onde?

            - Se eu puder escolher… em minha casa… se não puder… qualquer sítio me serve…

            - E levas um desconhecido para tua casa?

            Tive de me rir, não estava habituado a que os tipos da sua idade levantassem aquele assunto, geralmente era o contrário, era eu que lhes tinha de por um travão.

            - Não és exatamente um desconhecido… sei onde te encontrar! – ri fazendo um compasso de espera como se me tivesse lembrado daquilo no momento – ou és tu que tens medo que te amarre e te viole quando te apanhar lá? – fiz a pergunta fixando-o nos olhos com um sorriso provocador

            - Não tenho medo de ser amarrado! – a sua resposta acompanhou um sorriso que me deu vontade de o agarrar ali mesmo – também tenho os meus fetiches…

            Mordi o lábio sentindo o coração aos saltos.

            - Ah sim? – tentei parecer o mais calmo possível – e entre eles encontra-se o de ser amarrado?

            Encolheu os ombros negligentemente.

            - Gosto de um homem que sabe o que quer!

            - Ótimo… eu quero que vás cear comigo e quero-te a tocar-me à campainha até às onze e meia!

            - Está combinado!

 
            É evidente que não pensei em mais nada durante o resto da tarde e metade da noite. Saído do ginásio, fui ao supermercado comprar as coisas básicas… pão, queijos, enchidos, patés… queria uma coisa requintada, a verdade é esta, queria impressionar e diabos me levassem se não conseguisse. Não me lembrava se tinha preservativos suficientes, mas não estava disposto a arriscar, a coisa podia correr bem ou não, mas acontecesse o que acontecesse, não seria apanhado desprevenido. Durante todo o tempo que andei nas compras só pensava no movimento que ele fizera quando me mostrara como fazer elevações na barra. Esse movimento fizera com que a sua t-shirt subisse e pude ter um vislumbre da sua barriga, com os músculos perfeitamente delineados e uma deliciosa camada de pelos a desaparecer dentro das calças.

            A expetativa é grande quando se fazem bons planos, mais ainda quando quem vamos receber é super atraente… perguntei-me se ele estaria tão nervoso como eu. Tinha tudo pronto e os nervos em franja. 11h10 e começou a chover… melhor ainda, com um bocado de sorte chegava encharcado e teria de lhe tirar a roupa para secar. Nova vista de olhos pela sala… eu ficaria impressionado se fosse recebido assim… a mesa de café perto do calor da salamandra, a sala apenas iluminada por velas e um candeeiro de luz fraca, as almofadas no chão em volta da mesinha… para mim estava perfeito. Com a minha sorte o tipo era um carroceiro e não ia querer comer no chão.

            Toca o telefone. Corrida para a cozinha. O número era identificado, mas não estava na lista.

            - Sim!?

            - Tão sério! – ouvi antes duma gargalhada – é o Manel… só consegui sair agora e está a chover imenso!

            Olhei para o relógio… 23h17.

            - Ainda tens 13 minutos, é mais que suficiente para não chegares atrasado, nem precisas vir a correr!

            - Mas vou chegar encharcado, não ficas chateado? – disse – é que estou de mota!

            - Então vou-me preparar para isso! – sorri com o coração a bater e a pensar que, se calhar Deus existia mesmo – só fico chateado se não vieres… ainda tens 12 minutos!

            - As horas são assim tão importantes? – ouvi-o rir-se outra vez – o que é que acontece se eu me atrasar?

            - Vais-me dar o trabalho de ter de pensar num castigo! Preferia que chegasses a horas!

            - Eu tenho muita fome, vou ter de me atrasar numa próxima vez, se houver! Até já!

            - Melhor assim!

            Ao desligar o telefone quase tive vontade de pular… senti que estava com a libido completamente descontrolada. Os pratos no balcão estavam prontos, pude leva-los rapidamente para a sala. Música… clássica? Era uma boa opção… Vivaldi nunca nos deixa ficar mal nestas circunstâncias, ainda por cima estava a chover... mas podia ser demais… Madredeus? Sim, toda a gente gosta de Madredeus.

            A campainha da porta tocou. Carreguei no play e fui abrir… era ele. 23h30. Pontual. Destranquei a porta da rua e corri por o robe na casa de banho. Peguei numa toalha de rosto e fui para a entrada.

            Saiu do elevador com o capacete numa mão e sacudia o casaco de cabedal com a outra… as calças de ganga estavam encharcadas. A sua expressão fazia pena, mas depois o seu olhar percorreu-me da cabeça aos pés. Gostei.

            - Esqueci-me de trazer o fato da chuva! – desculpou-se – tirei o capacete para veres que era eu e foi o suficiente… está a chover torrencialmente… olá!

            Estendeu-me a mão e a sua cara era digna de se ver quando, em vez de lha apertar, lhe estendi a toalha. Ele agarrou-a sem saber o que mais fazer.

            - Esse avental fica-te bem! – continuou sem saber o que dizer

            - Dá-me o casaco e o capacete! – disse-lhe num esforço enorme para não me rir – em frente fica a casa de banho… tens lá um robe para poderes tirar essa roupa molhada!

            - Queres-me nu? – a sua voz e toda a sua face acusaram a surpresa

            - Se te quisesse nu, não te tinha oferecido o robe, pois não? Convidei-te para cear, não quero ser responsável por apanhares uma pneumonia!

            Pisquei-lhe o olho e virei-lhe as costas, entrando na cozinha. O casaco e o capacete foram para uma cadeira… vi a fruta... faltavam as uvas… tinha de me esquecer sempre alguma coisa.

            - Assim estou muito melhor!

            Ao ouvi-lo ao meu lado virei-me a sorrir, mas o sorriso morreu-me nos lábios e quase abri a boca de espanto. Tenho uma vaga ideia dele ter dito qualquer coisa sobre deixar as calças no lavatório para secarem, mas com o robe vestido pude ver a parte de cima do seu peito coberta de pelos alourados que estavam a crescer depois de terem sido rapados. Estremeci perante a visão sem conseguir pensar no que quer que fosse.

            - Estás mais quente, não? – consegui finalmente dizer

            - Bem mais! – sorriu percebendo perfeitamente o efeito que tivera em mim – uvas, boa!

            - Gostas? – arranquei uma e levei-lha à boca

            - Muito! – disse curvando-se para a aceitar, sorrindo

            - São de Palmela e não têm grainhas… costumam ser muito boas!

            - São óptimas! – exclamou surpreendido

            Dei-lhe outra e ele voltou a aceita-la… desta vez envolveu-me os dedos com os lábios num… enfim, numa cena que me fez perder a cabeça... uma pessoa tenta controlar-se, mas há coisas que são demais… um homem não é de ferro.

            Agarrei-lhe os pulsos e pressionei-o contra o balcão, colando os meus lábios aos seus. Ele estremeceu sentindo as mãos presas atrás das costas, arfou, mas não me tentou resistir, abriu a boca para deixar a minha língua invadir-lha e correspondeu ao meu beijo com o mesmo ardor que eu sentia.

            Quando parámos, os seus olhos brilhavam. Deviam estar com a mesma intensidade dos meus.

            - É agora que me vais amarrar? – perguntou docemente

            - Bem… tu não estás propriamente a resistir! – sorri provocador

            - Era suposto resistir? – olhou-me intensamente

            - Eu até prefiro que não resistas!

            Beijei-lhe os lábios suavemente. Estavam doces, sabiam a uva.

            - Tu desconcentras-me! – disse

            - Ah sim? - fingi-me surpreendido

            - Ora és doce, ora és bruto… deixas-me a sorrir e depois…

            Mordi-lhe o lábio suavemente, desapertando o cinto do robe e abrindo-lho.

            - Sabes que eu sou como a sopa dos chineses…. sou agridoce…

            Ele riu-se da piada e sem o mínimo gesto de resistência quando as minhas mãos lhe percorreram o peito suavemente.

            - Assim posso ficar descansado que não vou ser violado! – foi a vez dele sorrir provocadoramente

            O meu olhar tinha descido rapidamente do seu delicioso peito para se fixar no sexo duro apontado para mim.

            - Sabes que o propósito da violação é abusar de uma pessoa que não quer cooperar! – disse em tom professoral – portanto só há violação quando a pessoa não está excitada sexualmente!

            Levei a mão ao seu sexo duro, massajando-lho suavemente e fazendo-o estremecer com o contacto.

            - Eu estou muito excitado! – admitiu num gemido

            - O que significa que eu não te consigo violar… e parece-me que nem te preciso amarrar! – murmurei-lhe ao ouvido antes de uma dentadinha – acho até que nem preciso pedir!

            Senti as suas mãos dentro da minha camisola. Foi a minha vez de estremecer.

            - Tu não és do tipo que precisa de pedir, pois não? – ouvi

            - Não costuma ser preciso! – respondi – queres que te peça?

            - Não! – gemeu quando lhe mordi o mamilo que tinha um piercing

            Senti-o a puxar-me a camisola e ergui os braços para que ma tirasse. Ele atirou-a para cima da mesa e senti imediatamente as suas mãos no cinto das minhas calças. Caíram-me pelo corpo enquanto o vi deslisar à minha frente para se ajoelhar. Fechei os olhos, agarrei-me ao lava-louças e inspirei fundo no momento em que senti a sua boca quente a envolver-me. Fiquei quieto durante uns minutos, apenas gozando a sensação da sua boca húmida à minha volta. Só algum tempo depois consegui olhar para baixo, para a fantástica visão daquele homem de joelhos à minha frente e do meu sexo a mover-se entre os seus lábios.

            Ele sabia o que fazia, mas eu queria mais.

            Fi-lo levantar-se para o tornar a beijar e durante esse beijo empurrei-o contra a mesa da cozinha. Ele sentou-se nela a sorrir.

            - É agora que me vais violar?

            - Não aguento mais… quero estar dentro de ti!

            Vi o saco das compras ainda em cima da mesa e nem precisei afastar-me… abri a caixa dos preservativos e a do lubrificante. Menos de um minuto depois forçava a entrada e senti-o abrir-se para mim. Foi delicioso sentir as suas pernas peludas apoiadas nos meus ombros, ver a sua expressão de desejo e os seus olhos brilhantes enquanto me movia dentro dele… vê-lo gemer e contorcer-se quando lhe apertava os mamilos, sentir as suas mãos a puxarem-me para si… finalmente perdi o controlo e explodi segundos antes dele fazer o mesmo, lançando jactos de liquido contra o seu peito.

            Deixei-me cair sobre ele, arfando… ouvia-se apenas a nossa respiração ofegante e sentia-se apenas o cheiro de sexo inundando o ar.


            Mais tarde, sentados no chão nas almofadas, encostados ao sofá a preguiçar depois da ceia, com os robes abertos para que os nossos corpos pudessem tocar um no outro… sentia-me bem com a vida.

            - Isto foi quase perfeito! – ouvi a certa altura

            Olhei-o surpreendido por ter sido arrancado aos meus pensamentos.

            - Quase? – franzi o sobrolho depois de ter processado a informação

            Ele atrapalhou-se com a minha expressão.

            - Tu… gostas de ser tu a… gostas de ser tu a mandar, não é?

            - Gosto de ser eu a mandar? – confesso que a sua hesitação não me permitiu entender imediatamente o que ele queria dizer

            - És um bocado dominador…

            - Sou um bocadinho, às vezes! – admiti temendo o que aí vinha – achas que fui demais ou de menos?

            - Não é isso, eu gosto! – apressou-se a dizer – é que…

            - Desembucha que uma vez, Manel! – disse secamente… não suporto hesitações e preferia a noticia dita de chofre

            Ele estremeceu.

            - És só ativo? – perguntou reagindo imediatamente ao meu tom de voz

            - Porquê? É assim tão importante?

            - Não! Só um bocadinho… quer dizer, eu adorei estar contigo e gostei muito quando me… foi muito melhor do que eu estava à espera…

            Apertei-lhe um mamilo com toda a força. Ele deu um salto e soltou um grito abafado, contorcendo-se.

            - Quer dizer que passo a ideia que não presto na cama…

            - Não! Nada disso… nada disso mesmo, mas ainda foi melhor do que eu estava à espera!

            - Ah bom! – sorri curvando-me sobre ele e beijando-lhe o mamilo

            - Gostei mesmo de estar contigo! – alegrou-se momentaneamente com a minha expressão, mas o seu rosto voltou a ensombrar-se – mas é que eu também gosto de…

            - Ah gostas, é? – nem queria acreditar como o tipo era perfeito para mim

            - Tu não gostas? – vi-o tenso

            - Vais ter de voltar para descobrir!

            - Já é tarde, não é? Queres que me vá embora?

            - Estava a pensar convidar-te para ficares comigo hoje! – disse-lhe – a chuva ainda não parou!

            - Queres que fique?

            - Que mania que tens de perguntar aquilo que acabei de te dizer!

            - Desculpa! – disse logo virando-se para me beijar – se quiseres que fique…

            - Já pagaste a ceia com o corpo, mas vais ter de pagar a estadia também!

            Ele virou-se para se sentar no meu colo.

            - És pior que o governo, sempre a sacar! – acusou a rir

            - Podes sempre mandar um email ao Gaspar… pode ser que o ministro aceite que lhe pagues os impostos com o corpo!

            - Está-se mesmo a ver! – revirou os olhos fazendo-me sorrir

            Passei as mãos pelo seu peito lentamente.

            - Vais-me excitar outra vez! – preveniu-me

            - Isso é um aviso ou um pedido? – provoquei

            - É as duas coisas!

            Apertei-lhe as nádegas com força e puxei-o para mim, para se erguer e ficar ajoelhado à minha frente. O seu sexo já estava a crescer, mas ainda não estava duro, consegui agarra-lo e faze-lo desaparecer completamente na minha boca. O Manel soltou um gemido, entrelaçando os dedos no meu cabelo. Um minuto depois já não era possível repetir a proeza… o seu pau era maior que o meu e tinha um tamanho acima da media, já apanhara maior, mas geralmente eram menores… estava rijo como pedra e eu não conseguia engolir sequer metade. Compensei em fervor, sorvendo-o com vontade. Ele estremecia quando eu mudava os movimentos, gemia cada vez que eu descobria algo que ele gostava.

            - Não aguento muito mais! – avisou ao fim de uns minutos

            Parei imediatamente, empurrando-o suavemente para trás.

            - Aguentas sim! – contrariei

            - Não me deixas vir? – perguntou confuso

            - Deixo! – sorri provocador – mas vens-te quando eu permitir!

            Levantei-me e puxei-o para me seguir. Arrastei-o para o quarto e beijei-o enquanto lhe tirava o robe. Empurrei-o para cima da cama sem afastar o édredon… o que eu tinha planeado não podia ser feito dentro dos lençóis. Tirei o cinto do seu robe e envolvi-lhe os pulsos com ele. Eram duas da manhã. Ele estava de olhos muito abertos, em expectativa, mas deixou-se amarrar à cama. Depois disso tirei o cinto do meu robe e fiz o mesmo com as suas pernas. Senti sempre o seu olhar intenso a seguir-me os movimentos, mas não abriu a boca senão quando me deitei em cima dele e percorri o seu peito com a ponta da língua… só nessa altura soltou um gemido. Continuava tão duro como antes… o ser amarrado não tivera o mínimo efeito.

            - Podes-te vir agora! – fixei-o nos olhos

            Os dele quase lhe saltaram da órbita, estupefacto.

            - Agora não consigo! – exclamou como se eu fosse doido

            Soltei uma gargalhada… adorava deixa-lo assim.

            - Vou ter de te ajudar, não é? – sorri-lhe, roçando-me no seu corpo lentamente – já vi que tenho de ser eu a fazer tudo…

            - Desamarra-me que eu mostro-te! – agitou-se, frustrado, tentando libertar-se

            - Não sejas rebelde! – mordi-lhe o lábio – se eu não quisesse faze-lo não te tinha amarrado, pois não?

            As três velas que estavam acesas no quarto lançavam um odor delicioso e proporcionavam a iluminação perfeita… havia penumbra, mas via-se tudo perfeitamente. Ele não desviava os olhos de cada um dos meus movimentos. Viu-me pegar numa garrafa que tinha na mesa-de-cabeceira e deitar um pouco de líquido no pequeno cálice… daí espalhei-lho pelo peito lentamente. Senti-o agitar-se debaixo de mim enquanto lhe voltava a percorrer o tronco másculo com a língua. O tom dos seus gemidos aumentava a cada minuto que passava.

            - Ai, meu… dás cabo de mim! – arfava

            Agarrara-se à cama e a força que fazia deixava-me louco também por ver os seus músculos completamente duros… pareciam pedra.

            O resto do licor de café foi para o seu sexo. Segurei-lho deitando o que restava no cálice. Depois mergulhei sobre ele e engoli tanto quanto aguentei. Ele soltou um grito abafado.

            - Tenho de te amordaçar também? – fixei nos olhos

            Vi-o cerrar os dentes e abanar a cabeça.

            Voltei a chupar… usei-o como um sorvete, sorvi-o como um gelado e admirei o esforço que fez para se manter em silêncio. Contorcia-se, arfava, mas os gemidos que não conseguia controlar eram abafados… e sentidos.

            Quando já não sentia o licor, coloquei-lhe um preservativo, enchi-o de lubrificante e sentei-me sobre ele. Os seus músculos quase que explodiam com a força que fez agarrado à cama quando se sentiu a invadir-me. Fi-lo entrar lentamente, faseadamente… cada vez que avançava mais um pouco ele soltava um gemido. Não consegui recebe-lo todo, mas não faltou muito. Esperei um momento para relaxar e comecei a mover-me lentamente, conseguindo ainda mais um pouco de penetração. Ele tentou a abrir as pernas, mas não podia, queria levantar-se e agarrar-me, mas estava preso… houve um momento em que quase achei que ia enlouquecer, soltou um grunhido como eu nunca tinha ouvido.

            - Solta-me! – pediu – deixa-me…

            - Não! – interrompi sem conseguir reprimir um sorriso de vitória… ele estava no ponto

            - Por favor! – foi quase uma súplica

            - Não! – repeti apertando-lhe os mamilos

            Vi-o virar a cabeça para morder o pulso e não fazer barulho. Comecei a cavalga-lo… a cama ressentiu-se.

            - Vamos acordar os vizinhos! – disse ele

            - Queres que pare?

            - Não!

            Sorri sem lhe explicar que o apartamento de baixo pertencia a um emigrante e estava desabitado. Voltei a mover-me, alternando entre cavalga-lo e ficar quieto, testando a minha capacidade de encaixe… nesse momento em que parava quase completamente e em que apenas me agitava ligeiramente em movimentos rotativos, era quando ele se agarrava à cama com toda a força e todo o seu corpo parecia esculpido em pedra.

            - Foda-se, meu… eu assim não aguento muito mais! – gemeu algum tempo depois, num dos momentos em que parei e me demorei mais nos movimentos lentos

            - Não faz mal… agora sim, podes deixar de resistir!

            Continuei com os movimentos rotativos, quase sem me mover e o efeito foi quase imediato… vi-o tornar-se vermelho que nem um tomate e cerrar os dentes soltando um grito abafado quando perdeu o controlo… fez pressão sobre mim, erguendo-se nuns espasmos que me fizeram ter a certeza do que estava a acontecer. Pouco depois eu inundava-lhe o peito com fortes jactos, tão excitado como ele estivera.

            Quando me retirei de cima dele foi um alívio. Usei o robe turco para lhe limpar o peito e tirei-lhe o preservativo, sorrindo com o seu ar atento e o brilho que tinha nos olhos.

            - Soltas-me agora? – perguntou suavemente

            - Agora sim! – sorri

            Libertei-lhe os pés e depois os pulsos. Curiosamente não ficara com marcas, mas também agarrara-se às traves da cama, não puxara pelos pulsos.

            Assim que se sentiu livre, levou a mãos à minha face e puxou-me para ele para me dar um beijo que me surpreendeu pelo ardor… aquilo foi novidade para mim e completamente inesperado.

            - Nunca tinha sentido nada assim…

            - Foi muito mau?

            - Estás a gozar! – exclamou como se eu tivesse dito um imenso disparate – esta queca vai direta para o meu top 5!

            - Menos mal! – tentei não demonstrar, mas o meu coração bateu de prazer… ou ele era um excelente ator, ou estava dizer a verdade

             Já dentro dos lençóis, com o meu corpo encaixado no dele… quente, cansado, sonolento, deliciado com o som da chuva a bater violentamente nos estores… senti-me bem.

            - Amanhã posso vir ter contigo? – ouvi um murmúrio no meu ouvido

            Senti a minha face abrir-se num sorriso.

            - A partir das 11h30 não te atento a campainha!

            - E se eu me atrasar?

            - Tu não te vais querer atrasar, pois não?

            - Não!

Adormeci com um sorriso nos lábios.


 

terça-feira, 12 de março de 2013

O 'personal trainer' - conto gay parte1


 



            Desliguei o carro e olhei em volta contrariado. O estacionamento estava cheio, o que só podia significar que o ginásio estava a abarrotar de gente outra vez. Foi impossível evitar uma exclamação de aborrecimento. Havia poucas coisas que eu detestasse mais do que multidões. Cada vez estava pior e os meses de isolamento a que eu me autocondenara só me tinham feito detestar ainda mais grandes enchentes… a espera que a máquina do próximo exercício ficasse livre, o calor dos corpos em esforço… o cheiro da transpiração… sacudi a cabeça para afastar aquelas ideias… «vamos mudar de pensamentos».

            Cerrei os dentes e saí do carro: «pensamentos positivos! Passaste os trinta e é altura de te deixares escravizar pelo ginásio» disse para mim próprio.

            A verdade era esta e absolutamente incontornável. Descobrira com 32 anos que os passeios de bicicleta e a meia hora diária a correr já não eram suficientes para aquilo que eu queria. Continuo com bom corpo (é a minha opinião pelo menos), mas ganhei dois quilos nos últimos três meses e isso fez tocar as campainhas de alarme. Tinha de fazer mais qualquer coisa.

            A ocasião aparecera quando eu menos esperara. Uma noite de cinema e, à saída do centro comercial, um rapaz giríssimo a entregar folhetos de um ginásio prestes a abrir e que procurava clientes. O Manuel saíra da faculdade há pouco tempo e este era um dos seus primeiros trabalhos… giro, simpático, com um sorriso fantástico, um corpo de fazer crescer água na boca e a dar-me atenção… quando chegara a casa tinha marcada uma visita para fazer os testes físicos para ver se não me dava nenhum ataque a meio da sessão. Na semana seguinte o meu delicioso ‘personal trainer’ fizera-me elogios quanto à minha forma física e eu fui delicado o suficiente para conseguir não lhe dizer que não me importava nada de ter um chelique ou dois a meio de uma sessão com ele.

            Empurrei a porta com a fúria de quem quer vencer… uma hora e meia de exercício e estava livre. A mesma fúria com que começara a correr de madrugada, antes de ir trabalhar… com um bocado de sorte acabaria viciado no ginásio, como acontecera com a corrida.

            - Boa tarde, Zé Maria!

            O sorriso do Manel acabou com as minhas incertezas. 24 ou 25 anos, um pouquinho mais alto que eu, louro com o cabelo muito curto, tronco forte e ombros largos que a t-shirt não conseguia esconder, braços fortes de bíceps proeminentes que exibia com confiança… estava atrás do balcão da receção a conversar com a relações públicas do ginásio, que lhe sorria parecendo derretida, mas o seu olhar fixara-se em mim quando me vira entrar e o seu sorriso fora imediato.

            - Olá… boas tardes!

            Respondi-lhe com o meu melhor sorriso.

            - Vou já ter consigo! – disse-me ele antes de se voltar a concentrar no que a mulher lhe estava a dizer

            Tive oportunidade de ver a expressão de desagrado da mulher por eu ter chegado e ter desviado a atenção do tipo, mas pouco me importei… não achara nada simpática desde o primeiro dia e decididamente não frequentaria o local por causa dela.

            - Fico à sua espera!

            Senti imediatamente o calor da segunda sala, mas tive sorte, havia pouca gente. Pelos vistos havia uma aula qualquer de um daqueles desportos que dão cabo de uma pessoa ao fim de 10 minutos de exercício… toda a gente sabe do que estou a falar, aquelas aulas que, quando acabam, nos deixam às portas da morte… seja como for, parecia estar cheia de adeptos e apenas se via uma pessoa na sala das máquinas de exercício, curiosamente a miúda rechonchuda que fizera o teste de aptidão no mesmo dia que eu. Acenei-lhe pois tínhamos falado uns minutos nesse dia e entrei nos balneários para trocar de roupa.

            Eu não gostava nada daqueles balneários. É verdade que sou gay e não sou nada complexado, mas aquele sistema fazia-me confusão. Não tinha hall por isso, assim que entrávamos, estávamos logo no local para mudar de roupa. Digo ‘local’ propositadamente, aquilo era um corredor bastante apertado onde, para atarmos os atacadores, damos uma cabeçada no tipo que está à nossa frente. Não é nada o meu estilo. Dois dias antes, estava a calçar os sapatos para me ir embora quando passou um tipo à frente e mal tive tempo para me levantar para evitar tê-lo a roçar-se na minha cabeça. Ainda se fosse minimamente atraente… tipo o Manel… poderia pensar em fazer uma piada sobre o assunto, mas era um… enfim, não era nada atraente. Pronto. A zona dos duches não era muito melhor, pequena, apertada… decidira logo que não tomaria banho ali na hora de ponta. Também da última vez estivera 10 minutos à espera que as pessoas de despachassem e até me ocorrera só tomar banho em casa.

            Ouvi a porta abrir-se. Era o Manel.

            - Ah está aqui… pensei que se tivesse ido embora!

            Finalmente, o seu sorriso só para mim.

            - Estava a pensar que isto é super apertado! – respondi-lhe – estamos a atar os sapatos e a dar cabeçadas nas pessoas!

            Os seus lábios mudaram de posição e o seu sorriso tornou-se agarotado, ele pareceu divertido com a ideia.

            - Tem que se ter cuidado! – foi a sua resposta

Vi o seu olhar fixar-se nas minhas pernas e gostei da sua expressão avaliadora.

            - Eu tenho os meus fetiches, mas andar às cabeçadas aos abonos de família dos meus colegas de ginásio não é um deles! – respondi meio azedo, meio a gozar

            Levantei-me, encarando-o ainda a tempo de ver a sua expressão de surpresa.

            Gostei e o ver espantado com o meu comentário e da hesitação antes de responder.

            - Imagino que não!

            - Estou pronto! – disse-lhe com o meu melhor sorriso – o que tenho de fazer hoje?

            - Hoje vou puxar por si! – olhou-me provocador

            - Eu gosto que puxem por mim! – disse mordendo o lábio… aquilo não era o tipo de comentário… ideal…

            Era a quinta vez que vinha ao ginásio, mas foi a primeira vez que gostei realmente de ali estar. Primeiro, tinha toda a gente a fazer a aula e a zona das máquinas só para mim; segundo, não havia compasso de espera para ir para o aparelho seguinte; terceiro, não havia o calor nem os cheiros dos dias anteriores; por último, mas muito importante, tinha o ‘personal trainer’ por minha conta. Não podia ser melhor.

            15 minutos de bicicleta a conversar de trivialidades não me pareceram particularmente complicados, pelo contrário, foram um verdadeiro prazer. As primeiras máquinas também não foram nada de extraordinário, apesar de ter estado sozinho porque apareceu a relações públicas que esteve imenso tempo a falar com ele. Confesso que não gostei… como é que se pode explicar que uma «relações públicas» nos tire aquilo que queremos, em vez de nos fazer sentir bem no espaço que administra? É evidente que ela não podia fazer ideia…

            O Manel voltou com uma expressão aborrecida.

            - O dia não está a correr bem? – perguntei tentando ser simpático

            Encolheu os ombros.

            - Ninguém disse que a vida era fácil! – foi a resposta

            - É natural que seja complicado arrancar com um projeto destes, há sempre muita coisa para resolver…

            - De 10 em 10 minutos?

            Calou-se atrapalhado… pareceu ter-se apercebido logo do comentário despropositado. Tive de sorrir.

            - Se nos voltar a interromper, eu queixo-me que não estou a ter a sua atenção como devia… desta vez só o pensei… da próxima digo-o! – vi a sua expressão de surpresa e fui eu que encolhi os ombros – o que quer… tenho mau feito!

            - Vou ter mais cuidado! – sorriu… e eu achei aquilo era provocação

            - Acho bem… o Manel tem de agradar aos chefes, mas tem de agradar ainda mais aos clientes, não é?

            A sua surpresa foi ainda mais flagrante, apenas ligeiramente maior que a minha porque não estava nada nos meus planos dizer aquilo. Parecia que o meu sistema de filtro estava desligado, mas a verdade é que senti o seu olhar de curiosidade… parecia espantado comigo. Fez-se um momento de silêncio, antes dele tornar a falar.

            - Também pode experimentar as aulas um dia destes! – acenou com a cabeça na direção das outras salas

            - Não me parece! Aquilo é demais para mim!

            - Não tinha dito que gostava que puxassem por si? – fixou os olhos nos meus e eu achei que me estava a provocar deliberadamente

            - E gosto! – ripostei imediatamente – mas não é numa sala abafada e cheia de gente!

            - Aqui é melhor? – sorriu sem desviar os olhos dos meus…

            - Pelo menos é melhor do que na outra sala… isso de certeza! Seja como for, eu estou satisfeito consigo, por isso vou-me manter por aqui!

            - Ainda bem! – riu – vou eu puxar por si!

            Foi mesmo o que fez… flexões… ninguém merece… intervaladas com abdominais… 10 de cada, duas vezes, alternadamente… enfim, um pesadelo.

            Cerrei os dentes e consegui… mais por vergonha que por outra razão qualquer, mas consegui.

            - Porca miséria! – exclamei aliviado por não me ter saído nada pior

            - Não estava à espera que conseguisse! – confessou ele a sorrir – estou impressionado!

            - Pois! – bufei a ferver a ferver de calor – eu pareço uma florzinha de estufa, não é?

            Sentia-me um bocado azedo depois daquele esforço… precisava de uns minutos para voltar a ter bom humor. O sorriso desapareceu-lhe dos lábios como que por encanto.

            - Nunca pensei isso! – apressou-se a dizer atrapalhado

            - Claro que não! – forcei-me a sorrir – seja como for, já percebeu que não sou!

            - Mais 10 minutos de bicicleta e pode ir! – disse de olhos fixos no meu corpo… eu levantara a t-shirt para passar a toalha no peito… estava todo a transpirar

            Entretanto a aula tinha acabado e deviam ter saído de lá mais de vinte pessoas.

            - Muito bem! – sorri seguindo o eu olhar – mas entretanto tenho de esperar um pouco para dar tempo para toda a gente sair do balneário!

            O tipo viu que eu o observara e corou. Tenho de confessar que adorei sentir o seu constrangimento e ver a expressão do seu rosto.

            - Eu vou preparar o seu plano de exercícios! – balbuciou atrapalhado

            - Espero que isso não signifique que vá deixar de me dar atenção! – lancei aproveitando o balanço

            Ele passou de vermelho a purpura.

            - Claro que não! – disse logo – sempre que precisar…

            - Então está bem!

            Virei-lhe as costas, sentando-me na bicicleta a pedalar deliciado.

            Aquele dia correra mesmo bem. Correra bem no trabalho e correra bem ali… aquela situação prometia. O tipo era muito, muito bonito, tinha tudo no sítio, olhava-me de uma forma que me agradava e fiquei convencido que, se não era gay… pelo menos… enfim, eu perturbava-o tanto ou mais que ele a mim. Pelo menos foi a sensação que tive, bem vira a sua expressão confundida… de certeza que acabaria por tirar aquilo a limpo, teria de o convidar para qualquer coisa fora do seu local de trabalho.

            Pedalei com vontade, satisfeito com o balanço desportivo do dia. Ele sentara-se a fazer o tal plano, ou qualquer coisa do estilo, mas olhava-me com alguma frequência… podia ser um ato reflexo enquanto pensava, mas podia ser para me controlar… eu estava com esperança que fosse a segunda opção.

            A verdade é que, quando terminei e me levantei, ele olhou-me imediatamente… pisquei-lhe o olho e afastei-me para o balneário achando que não havia forma de um piscar de olho poder ser visto como mais que um cumprimento simpático… a não ser que se quisesse ver dessa forma.

            Ainda estava um homem a vestir-se, mas havia espaço suficiente. Aliás, ele estava pronto para sair. Tomei um duche rápido, sentindo-me mole e sonolento. Teria de por a música alta para não correr o risco de adormecer ao volante.

            - Zé Maria… ainda aí está? – ouvi a certa altura

            - Estou já a sair! – respondi com um sorriso

            Sequei-me rapidamente e fui ter com ele. Adorei a sua expressão quando apareci à sua frente e me viu a enrolar a toalha à cintura. Nem sei como consegui portar-me bem… eu gosto das coisas com calma e tenho experiência suficiente para saber que as precipitações podem causar problemas.

            - É o famoso plano? – perguntei-lhe a sorrir

            - É! – foi a resposta – sem flexões…

            - Menos mal… entre o plano de cortes do governo e o seu plano de exercícios… não sei qual me mete mais medo!

            Fui brindado com o seu delicioso sorriso e pensei que era capaz de me apaixonar por ele.

            - Eu posso-lhe explicar rapidamente…

            - Nem pense nisso! – disse imediatamente com vontade de rir pela sua expressão de confusão – estou todo partido e a última coisa que me interessa é saber o que planeou para me partir todo amanhã outra vez… não sou masoquista!

            - Outro dos fetiches que não tem!? – perguntou a rir, meio a sério, meio a brincar

            - Exatamente! Não está cá amanhã?

            - Estou cá todos os dias!

            - Então amanhã explica-me isso tudo, pode ser?

            - Claro!

            Ele virou-se para se ir embora.

            - Manel! – chamei, fazendo-o parar e virar-se – hoje deixo passar, mas fica prevenido que, se amanhã me doerem os músculos como hoje, vai ter de me fazer uma massagem!

            - Pode-se arranjar!

            Afastou-se rapidamente, mas não a tempo de evitar que eu visse que corara novamente.