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quarta-feira, 20 de março de 2013

Amigo Colorido - conto gay


            O Miguel é agora o meu melhor amigo… e é agora o meu amante especial. Os meus pais e os pais dele são vizinhos, moram lado a lado e são amigos há… milhares de anos, desde sempre. São daqueles vizinhos que não poderiam ser mais perfeitos. O meu pai e o Sr. Fernando são fanáticos da bola e adoram o mesmo clube, a minha mãe e a D. Elisa adoram receitas, compras e cortar na casaca das outras vizinhas. São amigos ao ponto de terem arrombado a divisória dos quintais e feito um portão para não terem de saltar o muro; são amigos ao ponto de alternarem na manutenção das propriedades… um dia é cortada a relva do meu pai, no dia seguinte corta-se a do Sr. Fernando e isto aplica-se ao corte das sebes, às pinturas… os jantares aos fins-de-semana são comuns, enfim, já dá para perceber a ideia.

            A minha relação com o Miguel sempre foi perfeitamente normal. Sendo seis anos mais novo que eu, nunca tive grande paciência para ele. Quando fiz 17 anos ele tinha onze, nasceu já fora de prazo (como a mãe dele costuma dizer) e a última coisa que me apetecia era andar com uma criança atrás de mim. Depois entrei para a faculdade, depois comecei a trabalhar, depois comprei casa… claro que o vi crescer, vi-o tornar-se um tipo delicioso, mas só o encontrava nos fins-de-semana em que ia jantar a casa dos meus pais e ele lá estava… às vezes sozinho, outras com as namoradas… eramos amigos no Facebook, trocávamos emails malucos, mas nunca passou disso, eramos amigos sem o ser.

            Aproximámo-nos há pouco tempo, quando nos começámos a encontrar na piscina municipal… eu porque precisava manter a linha, ele porque era o professor, vigilante e animador das senhoras aborrecidas. As raparigas derretiam-se com ele e faziam tudo o que ele pedia, as senhoras protestavam, mas faziam tudo também e com um sorriso nos lábios, os homens… uns não lhe ligavam mais que o indispensável, a maioria invejava-o, alguns derretiam-se com ele como as mulheres faziam… eu acabei a fazer parte do último grupo.

            Sempre tive namorados, sempre tive os meus casos quando estava sozinho e sempre tive os ‘one night stand’, as minhas curtes inconsequentes; na faculdade e fora dela. O que eu nunca pensei foi vir a ter um ‘amigo colorido’. Vi o filme, vi a série, ouvi comentários sobre isso, mas nunca me passou pela cabeça ter um amigo com benefícios… até agora.

            A nossa cumplicidade começou-se a desenvolver na piscina… as razões foram várias, mas a principal foi o facto de o ter visto em fato de banho. No primeiro dia a coisa correu bem, ele estava de calções e t-shirt e eu reparei nas belas pernas que tinha, mas não houve motivos para me desorientar. Cumprimentei-o normalmente, conversámos um bocado como era próprio de quem não se via há algum tempo e de quem tinha um passado em comum (eu era um miúdo quando ele nascera e andara com ele ao colo), mas não passou disso.

            Na semana seguinte a te-lo reencontrado, fiz uma cena digna de um filme do Chaplin. Ao entrar na zona da piscina apanhei-o a sair da água e o meu coração quase que parou quando o vi agarrado às escadas a trepar para fora da piscina. Nunca me tinha acontecido ver uma cena em camara lenta, tipo filme, mas foi o que me aconteceu, vi aparecer a cabeça dele molhada com a água a escorrer-lhe pelo rosto, vi aparecer o seu peito perfeito (com 21 anos, não é muito másculo, mas tem o tronco perfeitamente definido e com os músculos bem visíveis) e depois as pernas. Parou um segundo a passar a mão no cabelo curto e piscou-me o olho com um sorriso de cumprimento. Eu levantei a mão para lhe acenar, tropecei não sei em quê e espalhei-me ao comprido em cima dumas espreguiçadeiras que alguém tinha tido a infeliz ideia de meter no meu caminho.

            - Então, meu? – o Miguel correra para mim, para me ajudar a levantar

            - Olá! – fora a única coisa que conseguira dizer, sentindo-me total e absolutamente humilhado

            O seu sorriso era de gozo, o que não ajudou em nada que me sentisse melhor e as palavras que se seguiram deram cabo da pouca dignidade que ainda me restava.

            - Se estás com os copos não te deixo entrar na piscina!

            - Achas? – bradei escandalizado apoiando-me no seu braço para me levantar, desesperado por me desenrolar da toalha que parecia ter-se colado a mim

            - Para onde é que estavas a olhar, palerma?

            - Para ti, para onde é que havia de ser!

            A verdade às vezes engana… a sua reação foi abanar a cabeça, em claro esforço para não se rir.

            - Não sei se o teu amigo vai gostar!

            A sua resposta simples e o seu olhar dirigido a um ponto atrás de mim fez-me virar. Tinha o meu namorado a aproximar-se com cara de poucos amigos.

            - O que é que aconteceu? – perguntara ele de sobrolho franzido

            - Estava a dizer adeus ao Miguel e espalhei-me!

            - Tens de abrir os olhos! – disse ele afastando-se imediatamente

            O Miguel fez aquela expressão de constrangimento que fazemos quando alguém à nossa frente fez algo que não devia e ia ter problemas com isso.

            - Já vais levar nas orelhas! – disse antes de me virar as costas e se afastar

            Eu nunca lhe tinha dito que era gay, nunca tínhamos falado sobre isso, mas ele vira-me mais que uma vez com homens, via as fotos que eu tinha no Facebook e não era parvo nenhum. Dois mais dois são quatro, um gajo que se dá maioritariamente com homens, a quem nunca se conheceu uma namorada, que vive com homens e que agora frequentava a piscina com um homem… é fácil fazer as contas. Nunca tinha feito nenhum comentário sobre o assunto quando nos encontrávamos nos jantares, nem nunca teve qualquer comportamento que me fizesse pensar que havia algum problema em relação a mim.

            O problema foi o Jaime, o meu namorado nessa altura. Não me dirigiu mais a palavra o resto da noite. Era um tipo super ciumento, super inseguro e extremamente possessivo que desconfiava de tudo e todos… a minha conversa tipo "com a verdade me enganas" resultara com o Miguel, mas não enganou o Jaime que percebeu perfeitamente o que tinha acontecido.

            Para abreviar esta parte da história, que não interessa, no fim-de-semana o Jaime foi para casa dos pais ainda amuado e eu fiquei sozinho, disponível para ir ao jantar de família dois dias depois da cena.

            Sentia-me irritado por o Jaime não atender as minhas chamadas e estava a perder a paciência para aquele número de ‘prima-donna violentada’. Quando o jantar terminou, depois de mais de uma hora em que de um lado só ouvia falar na crise do Sporting e do outro só ouvia falar no terceiro homem com que a vizinha do nº32 fora vista naquela semana, pedi licença e levantei-me para ir fumar um cigarro. Em vez disso enrolei um charro. Acabara de o acender quando o Miguel parou à minha frente.

            - Pões-te a andar e deixas-me sozinho!

            - Hoje não estou com paciência para eles!

            - Eu levo com isto todos os fins-de-semana! – respondeu sentando-se no muro ao meu lado e olhando-me para a mão – eu conheço esse cheiro!

            Encolhi os ombros e estendi-lho. Levantou-se outra vez e veio sentar-se do meu lado direito para ficar também tapado pelos arbustos que o pai dele plantara.

            - Se eles nos apanham! – deu uma passa, rindo-se com uma expressão de garoto traquinas que está a transgredir nas barbas dos pais

            - Por isso é que ainda dá mais pica! – foi a minha resposta sentindo-me tão satisfeito com a situação como ele parecia estar

            Durante uns minutos debatemos os prazeres das transgressões, deliciados por estarmos naquela situação, fumando um charro com os nossos pais a conversar alegremente a 15 metros de nós sem fazerem a menor ideia do que estava a acontecer. Foi divertido e excitante ao mesmo tempo, foi curioso como essa cumplicidade de fazer algo secreto e proibido nos aproximou.

            No fim-de-semana seguinte fizemos exatamente a mesma coisa e voltámos a gostar da situação, parecíamos dois garotos a fumar às escondidas (o que em teoria era verdade), soltando risadinhas palermas e adorando cada segundo. Essa noite foi a primeira vez que a conversa acabou em sexo e foi ele que começou.

            - Então ainda estás a por pomada na nódoa negra? – dissera a certa altura com um sorriso de gozo

            Cruzei os braços, fingindo ter ficado aborrecido.

            - Queres que te mande p’ó caralho, ou vais sozinho?

            - Eu tenho namorada, não preciso! – fora a sua resposta com o mesmo sorriso – tu é que te espalhaste a olhar para mim!

            - Já deves estar habituado, ou não?

            - Mais ou menos! – rira – estou habituado a que me façam propostas, até já as tive de alguns gajos, mas tu foste o primeiro a dar um trambolhão!

            Tive de me rir também.

            - Eu gosto de ser diferente!

            - Já vi que sim! E o teu amigo?

            - Está amuado!

            - Ainda? Dasss…

            - Ainda! – confirmei com expressão de vitima – e eu estou a ficar farto!

            - Isso sei bem o que é… a Maria também é bué de ciumenta, só foi uma vez ter comigo à piscina e quase que acabámos por causa disso... passou-se!

            A conversa seguiu para o ciúme e passáramos o resto da noite a cortar na casaca da Maria dele e do meu Jaime.

            Na semana seguinte não nos vimos. Foi aprovado o meu crédito para a nova casa e desapareci em combate com as mudanças e instalação na nova casa. Nunca falei com ele e não consegui ir jantar com eles porque estava exausto, mas fiz mais comentários no seu Facebook e notei que ele fez o mesmo comigo… a aproximação aumentara e estávamos a prestar mais atenção ao que o outro fazia.

            Depois passou mais outra semana em que o Jaime não me ligava, eu deixei de lhe ligar também, não estava para perder mais tempo com ele. Nessa semana também deu para reparar que o estado do Miguel mudou… deixou de estar numa relação para passar a solteiro.

            É isto que nos leva ao sábado passado e ao primeiro jantar que fiz na casa nova. Convidei-os... os meus pais, os pais do Miguel e claro, o Miguel.

            O jantar correu muito bem porque eu não sou mau cozinheiro e todos ficaram bem impressionados… depois dos descafeinados o meu pai e o senhor Fernando concentraram-se a debater as eleições no Sporting (pasme-se com a inovação do assunto), enquanto a minha mãe explicava à D. Elisa como era o segundo homem que vira chegar com a vizinha que era a vítima do costume. Eu e o Miguel fomo-nos instalar no sofá a ver televisão e a tentar ignorá-los.

            A certa altura fartei-me.

            - Vou fumar! – anunciei fazendo-lhe sinal 

            Ele sorriu, levantando-se atrás de mim. Fomos para a varanda das traseiras. Ele instalou-se num dos poufs enquanto eu fazia a ‘fininha’ para fumarmos. Acendi-a, dei umas passar e passei-lha.

            - Reparei que estás solteiro outra vez! – comentei para criar assunto

            - Fartei-me! – encolheu os ombros negligentemente

            - De certeza que não faltam candidatas ao lugar!

            - Eu é que não quero… agora quero umas férias… sexo e mais nada!

            - Duvido à mesma que te faltem candidatas!

            Ele riu-se.

            - Podes crer que não faltam!

            - E candidatos! – lancei para provocar

            - Também! – tornou a rir-se – e o teu… como é que el se chama?

            - Jaime? – terminei percebendo que se referia ao meu ex

            - Sim!

            - Acabámos!

            - Também? O que é que aconteceu?

            - Acreditas que foi por tua causa?

            - Minha?! – rapaz abriu os olhos de espanto

            - Ele também era muito ciumento e tinha ciúmes de toda a gente!

            - Tinha ciúmes de mim?

            A ideia pareceu diverti-lo.

            - Tinha… da nossa relação especial!

            - Nós temos uma relação especial?

            - Eu contei-lhe quem tu eras e expliquei-lhe que andei contigo ao colo!

            - E o que é que isso tem?

            - Ele achou que agora queria andar contigo ao colo outra vez!

            O rapaz soltou uma gargalhada.

            - E queres?

            Encolhi os ombros sem negar.

            - Sabes que as pessoas ciumentas são doentes… estou convencido disso, ele percebeu bem que eu tinha caído por ter ficado feito parvo a olhar para ti… daí a fazer logo um filme de terror foi um passo!

            - Ah sempre me estavas a mirar!

            - Pensei que já estivesses habituado!

            Encolheu os ombros, parecendo constrangido.

            - Eu não… não ligo muito a essas coisas!

            - Tu podes não ligar, mas isso não significa que as pessoas fiquem vidradas em ti… olha para mim e para o meu espalhanço!

            Tornou a rir-se.

            - Então é porque gostaste!

            - Ora Miguel… tens espelhos em casa, não? E deves estar farto de ouvir piropos… mesmo de homens!

            - Estou, mas nunca estive com nenhum!

            - Se algum dia pensares nisso… eu sou o primeiro da lista! – disse-lhe imediatamente – depois da vergonha que passei acho que mereço prioridade! Além disso, eu não sou nada ciumento!

            - Eu nem sei o que fazer com um! – disse, mordendo o lábio numa  tentativa de se manter sério

            - Também não precisas de te preocupar com isso… eu sei bem o que fazer!

            - Estás-te a atirar a mim? – perguntou baixando ainda mais o tom de voz

            - Só um bocadinho! – sorri provocador – tu estás sem ninguém, tal como eu, não custa nada tentar!

            - Então sempre queres andar comigo ao colo!? - era mais uma afirmação que uma pergunta

            - Não te digo que não… és giro, tens um belo corpo, se te puseres a jeito vais ver o que te acontece!

            - O que é que me fazias? - perguntou em tom de gozo

            - Abria-te as calças e nem queiras saber o resto!

            - Porquê?

            - Queres que te mostre?

            - Com eles lá dentro? - acenou para o interior da casa

            - Quanto maior a transgressão, mais adrenalina tenho… só a ideia me dá tusa…

            - Também a mim! – foi a sua resposta de olhos fixos em mim – mostra-me o que queres fazer!

            Pronto. Era o que eu queria ouvir. Aproximei-me dele e passei a mão lentamente na parte da frente das suas calças. A reação dele foi esticar-se para ficar quase na horizontal. Para mim isso foi um sinal de que não estava em stress. Agarrei-lhe o cinto e desapertei-lho, depois foi a vez dos botões das calças e abri-lhas. Meti a mão lá dentro e vi que não me mentira, estava bem duro. Usei as duas mãos para lhe puxar as calças e os boxers para baixo, apenas o suficiente para lhe sacar o sexo para fora; era tão bonito como o seu rosto e tão perfeito como o resto do seu corpo. Comecei a brincar com ele e gostei de o ver fincar os dedos no pouf e fechar os olhos, suspirando.

            - Já fizeste a única coisa que eu precisava que fizesses! – disse-lhe baixinho a sorrir

            - Que foi o quê?

            - Pô-lo duro!

            Ele abriu os olhos e encarou-me com um sorriso provocador.

            - Então agora és tu que tens de me mostrar o que fazes a um gajo!

            Apertei-lho com força e comecei a masturba-lo. Um minuto, dois. Ele tornou a fechar os olhos e estremecia com alguns dos meus toques, de vez em quando elevava o seu corpo contra a minha mão, inspirando fundo. Três minutos.

            Acende-se a luz da cozinha e ouve-se a voz da minha mãe.

            - Mas onde é que eles se meteram?

            Virei-me rapidamente, recuando para ficar sentado normalmente enquanto ele puxava as calças para cima e se endireitava também. Atirei-lhe uma almofada e comecei a acender um cigarro.

            - Estamos aqui fora, mãe! – disse

            Foi a mãe dele que apareceu à porta da cozinha. Ele já colocara a almofada à frente e estava abraçado a ela.

            - Mas o que é que vocês estão aqui a fazer ao frio?

            - Coisas que só dois homens é que podem fazer, D. Elisa! – respondi logo, tentando não me rir com a expressão de susto que o Miguel fez – não lhe conto porque não são coisas para os ouvidos de uma senhora!

            - Faço ideia! – resmungou ela encolhendo os ombros e reentrando em casa

            - Nós vamos levantar o resto da mesa! – foi a vez da minha mãe aparecer também a espreitar

            - Deixa-te estar quieta, mãezinha… eu faço isso depois de se irem embora, vai ver televisão!

            Assim que elas viraram as costas arranquei a almofada ao Miguel. Vi que o seu sexo ainda estava bastante duro e isso disse-me que ele sentia tão excitado com o risco cmo eu. agarrei-lhe o pulso, levantei-me e arrastei-o pela porta que dava para o escritório. Elas tinham deixado a luz da cozinha acesa. Fechei a porta que dava para a varanda, fui ao outro lado fechar a que dava para a casa e fui ter com ele.

            Estava parado no meio do escritório parecendo não saber o que fazer. Vi-o preparar-se para se abotoar, mas dei-lhe uma palmada na mão. Agarrei-lhe as calças e puxei-lhas até ao joelho, empurrando-o para cima da secretária.

            - És doido? – exclamou de olhos muito abertos

            - Estou com uma tusa louca… só sais daqui depois de gozares!

            Curvei-me sobre ele e abocanhei-lhe o pau, sorvendo-o com força. Senti-o hesitar um segundo, mas os seus dedos fincaram-se no meu cabelo puxando-me para si. Se o seu sexo recomeçara a crescer novamente, quando ouvimos o primeiro copo a tocar no balcão da cozinha ficou duro como pedra.

            - Ainda nos apanham! – disse baixinho

            Fiz uma pausa para fixar os seus olhos brilhantes.

            - Então vais gozar à frente deles porque eu agora só paro no fim!

            Ele estava tão doido como eu. Empurrou-me para me sentar na cadeira e colocou-se à minha frente, voltando a meter-se na minha boca e começando a mover-se depressa. Eu finquei uma mão no seu traseiro, puxando-o para mim, enquanto lhe agarrei o pau com a outra, para não o deixar entrar demais.

            Foi um delírio que eu nunca pensei sentir, foi extraordinário tê-lo a foder-me a boca ao mesmo tempo que ouvíamos as nossas mães a conversar na divisão ao lado enquanto tratavam da loiça.

            - Foda-se, meu, que tusa! – gemeu baixinho mais que uma vez enquanto os minutos passavam – que tusa… não aguento mais… não aguento…

            Tentou retirar-se, mas eu estava rebentar de tusa também, estava doido de prazer e nem pensei em mais nada, não o deixei sair.

            - Não aguento! – disse num tom que mostrava urgência – foda-se! – disse um segundo antes de eu sentir o primeiro jato na boca – foda-se, meu!

            Curvou-se sobre mim, apoiando o peito na minha cabeça enquanto se agarrava às costas da cadeira. Senti o segundo jato quente contra o céu da boca e o terceiro enquanto o seu corpo estremecia nas minhas mãos e ouvia um grunhido ao meu ouvido. Deixei de resistir e engoli, não queria fazer porcaria, nem sujá-lo, nem sujar-me a mim. Depois dele parar, chupei-o mais duas ou três vezes… ele reagiu contorcendo-se e soltando um novo grunhido que era mais um grito reprimido. Ficou um segundo a olhar-me estarrecido, como quem diz «eu não acredito que isto aconteceu». Eu limitei-me a sorrir.

            Ele pode vestir-se sem problemas, tinha o sexo tão limpo como quando começara, talvez até mais. Não percebi bem a expressão com que me olhou, mas ele acabou por esclarecer.

            - Nunca me tinha vindo na boca! – disse parecendo não saber bem o que pensar

            - Também foi a minha primeira vez… fi-lo porque foi contigo!

            - Foi o melhor broche da minha vida!

            - Tu gostas de mulheres! – sorri descaradamente – para competir tenho de ser melhor que elas!

            - Podes crer que foste, meu! – olhou-me parecendo impressionado

            Quando reaparecemos, tive de explicar que tinha ido mostrar a vista da varanda do meu quarto. Ninguém teve razão para duvidar e ninguém disse nada. Apesar de tudo senti o olhar do Miguel em mim o resto da noite. Quando se foram embora despediu-se normalmente, mas pareceu-me sentir um calor diferente no seu sorriso, mais intenso.

            Fiquei sem a menor dúvida de que ele gostara do que lhe fizera, mas não tive bem a certeza de que quisesse repetir. Tinha acabado de meter a máquina da louça a lavar quando recebi um SMS. Era ele.

            «violaste-me»

            Durante uns segundos fiquei sem saber como reagir, mas resolvi achar que não era uma acusação séria.

            «da próxima violas-me tu» - enviei

            «amanhã vem almoçar connosco»

            Sorri.

            «vou»

sábado, 16 de março de 2013

O soldado - conto gay


Entrei na estação e avancei calmamente para a linha onde costumava apanhar o meu comboio, encostei-me ao pilar habitual, pensando que seria a última vez que o faria… acabara o meu curso em Lisboa e não voltaria a andar de comboio àquelas horas da noite, correndo os riscos que corria há mais de um ano. Àquela hora as estações estavam mais ou menos desertas e o comboio da ponte levava meia dúzia de pessoas, iam carruagens inteiras vazias e já se ouvira falar de assaltos mais que uma vez.

Eu tinha dinheiro suficiente para levar o carro, mas não estava para isso, não era só a gasolina e a ponte, eu não estava para pagar uma fortuna de parque de estacionamento, por isso o bilhete de comboio saía mais barato, não tanto como se poderia esperar, mas mesmo assim era mais barato… chegando a Coina pegava no carro e ia para casa tranquilamente. Saía mais económico e era muito menos stressante, detestava andar de carro em Lisboa à sexta-feira… assim não tinha problemas.

            Acendi o cigarro no exato momento em que o soldado das sextas-feiras apareceu no topo das escadas e chegou à plataforma. Viu-me imediatamente e é claro que me reconheceu, notei perfeitamente esse olhar de reconhecimento. Era a sexta ou sétima vez que eu encontrava o tipo… seria a última, devia ser a única coisa de que teria pena de perder… o tipo era muito atraente.

            É claro que não sabia o seu nome, nem nada disso, era um soldado do sul que costumava apanhar o comboio à mesma hora que eu… quase todas as sextas-feiras o encontrava, com o saco, apanhando o comboio da ponte… eu saía na Coina e ele seguia para sul.

            Ele só reparara em mim na segunda vez que nos encontráramos mas, daí em diante, houvera uma troca de olhares que se tornara cada vez mais frequente… na última sexta-feira, mesmo estando acompanhado por um camarada, olhara-me várias vezes... já não surpreendido, como até ali, mas parecendo curioso. Olhara-me de uma forma discreta, para o camarada não perceber, mas mantivera-me permanentemente controlado e mantivera-se atento… cada vez que o olhava, ele sentia e olhava-me também.

            Era um tipo alto, devia ter mais de 1,80, parecia ser bem constituído e tinha um rosto vulgar mas bonito, isto apesar do ar sempre sério.

            Desta vez estava sozinho.

            Avançou um pouco na minha direcção, mas parou a meia dúzia de metros… lançou o saco para o chão e encostou-se à grade que rodeava o acesso das escadas. Olhou-me, sentou-se no saco e voltou a olhar-me… o meu coração disparou e tive imensa pena de não ser como certos amigos meus que eram descarados com qualquer gajo que lhe interessasse.

            Tinha a certeza que ele percebera que eu era gay, não tenho muitos tiques, mas sei que dá para ver. De qualquer forma eu não tinha a ousadia para me meter com ele… ou teria? Afinal era a última vez que o iria ver, o que é que interessavam as consequências? Quando muito chamava-me ‘paneleiro’ e mandava-me à merda…

            Notei que ele nunca me olhara tantas vezes como agora, mas também eu não conseguia desviar o olhar, ele parecia-me cada vez mais atraente e eu sentia-me cada vez mais miserável por ser um ‘enconado’ e não conseguir pensar em nada para meter conversa com ele. Tinha o coração a bater a um ritmo louco, em stress e irritado por não me ocorrer nada para lhe dizer, mas quase parou no segundo seguinte.

            Podia ter tido um enfarte quando o vi levantar-se e vir ter comigo… não sou médico, mas mudanças bruscas de batimento cardíaco não podem fazer bem… parou à minha frente e sorriu-me… era giríssimo!

            - Dás-me um cigarro?

            - Sim, claro! – balbuciei atrapalhado, procurando o tabaco nos bolsos

            - Não precisas estar nervoso… não te vou assaltar!

            - Eu sei! – engoli em seco, sentindo as pernas fraquejar – não é por isso!

            - Também achei que não! – sorriu pela primeira vez, de olhos fixos nos meus enquanto tirava um cigarro – tens lume?

            - Sim, claro! – repeti engolindo em seco outra vez

            Percebi que era alentejano, a maneira de falar era inconfundível.

            O tipo era um pouco mais alto que eu e devia ter vinte e tal anos. Bem constituído, bonito, com o cabelo  alourado, curto, à militar, era muito, muito atraente.

            Peguei no isqueiro pensando em estender-lho, mas ele curvou-se sobre mim, de cigarro na boca… fui eu que lhe acendi o cigarro.

            - Obrigado!

            - Foi um prazer! – respondi depois de me conseguir acalmar um pouco

            Ele tornou a sorrir, inspirando o fumo, mas conseguiu apenas dar mais duas passas… o nosso comboio estava a chegar.

            Senti-o atrás de mim, quando entrei e senti passos seguyindo-me enquanto subia a escada para o piso superiorr… sentei-me numa das zonas mais escondidas do comboio com o coração a bater a um ritmo louco e vi-o parado à minha frente, a olhar-me…

            - Posso-me sentar aqui?

            Com tantos lugares vagos, como poderia querer sentar-se no mesmo banco que eu? O meu coração quase parou novamente… achei que seria uma sorte se conseguisse sobreviver à viagem.

            - Sim claro! – senti-me um gravador e com vocabulário limitado, mas estava mesmo perturbado com ele

            O tipo voltou a sorrir e atirou o saco para o chão sentando-se à minha frente e esticando as pernas até ficarem no meio das minhas.

            - És tu bocado tímido, não és? Queres que vá para outro lugar?

            - Não, não! – balbuciei imediatamente, fazendo-o sorrir mais ainda

            - Menos mal… sais em Coina, não é?

            - É! – senti o seu tornozelo a tocar na minha perna

- Tens namorada?

            - Não!

            - Namorado?

            - Também não! – tenho perfeita consciência que me fiz vermelho, ainda mais por o sentir a roçar a sua perna na minha novamente

            - Eu acabei com a minha no fim-de-semana passado… achas normal teres o teu namorado uma semana fechado num quartel e quando ele chega a casa, em vez de lhe dares atenção especial, só queres sair com amigos?

            - Não acho nada normal! – já estendera as minhas pernas também e agora estavam a tocar nas dele de uma forma constante

            - Eu também não achei… por isso é que acabei com ela… mas agora ainda é pior, não tenho namorada nem estou lá tempo suficiente para arranjar outra!

            - Duvido que te custe arranjar alguém! – consegui dizer

            - Achas que não? Achas que é assim tão fácil arranjar uma gaja que nos dê atenção especial?

            - Para ti acho que sim!

            - Posso-me sentar aí? – apontou para o lugar vazio ao meu lado

            - Claro! – estremeci

            Ele riu-se.

            - Dizes ‘claro’ a qualquer gajo que se meta contigo, ou é só a mim?

            O meu cérebro patinou durante um segundo, mas só havia uma resposta possível…

            - A ti digo!

            Levantou-se e sentou-se ao meu lado, apoiando a perna fletida no seu banco, mas colada à minha… aquela posição fez com que as calças de elástico destapassem um pouco da sua perna, relevando, na parte acima das botas, um bocado de pele coberto de pelos louros… quando o voltei a encarar, ele sorria, seguira o meu olhar e, se tivera alguma dúvida até ao momento, deve ter-lhe passado.

            - Afinal és menos tímido do que eu pensei!

            Senti imenso calor na cara.

            Estávamos a chegar à estação mais movimentada da zona sul e ele sentou-se direito, mas continuando com a perna colada à minha.

            - Sou mais tímido ao primeiro contacto, depois vou perdendo a timidez! – respondi aborrecido por terem entrado duas velhotas… por sorte foram para a outra ponta da carruagem!

            - Ah é? – voltara a por o pé no chão, movendo a sua perna lentamente para roça-la na minha – boa… eu prefiro assim!

            - Preferes?

            - Claro! – riu-se por dizer a minha palavra – gosto de gente direta e não gosto nada de perder tempo!

            - Eu também gosto disso!

            - Ah é? E gostas mesmo ou estás só a dizer isso por dizer?

            - Gosto mesmo!

            - Então vou-te fazer uma pergunta direta… sou eu que estou a fazer filmes ou tu és mesmo bicha?

            Engoli em seco. .

            - Eu não gosto muito dessa expressão!

            - Então de que expressão é que gostas? - o seu olhar era intenso e parecia sugar os meus pensamentos

            - Eu sou gay!

            Sorriu.

            - Certo! – disse calmamente – então sempre é verdade… é que eu tive a impressão que gostaste de mim, enganei-me?

            - Não… eu acho-te muito atraente! – confessei directamente também

            - Boa! – voltou a sorrir – é que não tenho ninguém há duas semanas e ando com uma tusa infernal…

            - Imagino!

            - Não imaginas não! Nunca toquei num gajo, mas há sempre uma primeira vez para tudo… gostas de pau?

            Dizendo isto agarrou-me na mão e levou-a à parte da frente das suas calças, fazendo-a sentir o volume que eu já tinha conseguido ver.

            - Adoro! – respondi continuando a massajá-lo mesmo depois de ele me ter largado a mão

            - Isso… passa a mão devagar!

Esticou-se mais ao ponto de ficar quase deitado… assim dava para nos sentirmos melhor um ao outro.

            - Costumo bater uma depois de Alcáçer, quando o comboio já está vazio, mas assim é muito melhor!

            Dizendo isto desapertou o cinto e as calças… nem precisou dizer nada, meti a mão lá dentro, sentindo as cuecas molhadas… era um bom sinal, era sinal de que estava excitado e estava a gostar. Meti a mão dentro das cuecas e agarrei finalmente um belo rolo de carne que estava completamente duro… tirei-lho para fora e continuei a massajar-lho lentamente. Ele fechou os olhos por um momento.

            - Gostas de fazer broches? – perguntou

            - Adoro… mas já não há tempo… saio a seguir!

            - Foda-se! – exclamou olhando para a rua

            - Se quiseres sair um bocado e apanhar o próximo… faço-te um! – disse num acesso de descaramento

            - Só tenho dinheiro à conta para o próximo bilhete, não posso comprar outro daqui até Setúbal!

            Estávamos a entrar na estação… ele tapou-se e voltou a abotoar-se.

- Se quiseres sair eu pago-te o outro bilhete! – respondi

            - E fazes-me um broche?

            - Sim!

            - Foda-se… eu estou fardado, não posso ser apanhado numa casa de banho com um gajo!

            - Eu tenho carro… aqui há zona de pinhal, podemos ir lá!

            - E posso confiar em ti? – ele estava indeciso

            - Juro-te… anda lá comigo! – pedi tentando não parecer desesperado

            - E fazes-me uma mamada?

            - Faço o que tu quiseres! – respondi levantando-me – vem lá!

            Estava a começar a descer as escadas para sair quando ele se decidiu… agarrou no saco e desceu atrás de mim. Seguiu-me pela estação e foi ver quando era o próximo comboio… era dali a 45 minutos.

            - Não dá para ir para muito longe! – disse

            - Não é preciso!

            Eu deixara o carro relativamente perto e chegámos lá depressa… estava numa zona do parque quase deserta. Ele entrou no carro comigo e atirou o saco para o banco de trás, antes de recuar o banco dele e olhar à sua volta. O parque já estava quase vazio e as últimas pessoas que também tinham carro ali já estavam a sair… agora aquilo iria estar deserto até chegar o próximo comboio, teríamos completa privacidade.

            Depois de se convencer que não havia ninguém à nossa volta, voltou a encarar-me… sorriu…

            - Queres chupar-me?

            - Muito! – foi a minha resposta passando a mão na parte da frente das suas calças

            Ele voltou a abri-las e a sacar o seu belo sexo para fora.

            - Adoro o teu pau! – lancei levantando os olhos do belo rolo de carne que agarrara… depois disso mergulhei sobre o seu colo e envolvi-lho com a minha boca

            Bastaram segundos para voltar a ficar completamente duro e comecei a sorve-lo com vontade, já andava com falta daquela sensação… ele estava um pouco tenso ao início, mas senti-o a descontrair e o seu corpo a relaxar enquanto o seu pau endurecia… pouco depois estava a gemer e a gostar.

            - Isso! – arfou quando rodei a minha boca sobre a cabeça – foda-se, tu mamas melhor que a minha ex!

            Encorajado, acelerei e sorvi com toda a força que consegui… ele reagiu imediatamente a isso.

            - Isso… foda-se! – soltou um grito abafado levando a mão à minha cabeça para a segurar e fazendo ele o movimento de entrar e sair na minha boca – chupa com força… isso…

            Eu estava com o cuidado de não o deixar entrar demais, mas aguentei bem o ritmo e o aumento da velocidade enquanto ele quis, até me fazer parar e olhar para ele… via-se que estava super excitado…

            - Foda-se, meu… quero-te foder o cu… deixas?

            - Claro!

            Ele riu-se, parecendo divertido.

            - Nem sei porque é que perguntei?

            - Eu não sou capaz de dizer que não a um gajo que me dá a tusa que tu dás! – ri também

            - Boa!

            Minutos depois, eu estava de joelhos no banco do carro, abraçado às costas, com as calças pelos joelhos e ele estava atrás de mim, na mesma posição. Tínhamos discutido a falta de preservativo, mas ele acabara por descobrir um no saco… logo depois senti-o a invadir-me lentamente, recuando um pouco para tornar a entrar mais… uma, duas, três vezes… cada vez mais fundo e mais depressa… quando finalmente alarguei o suficiente para ele se mover à vontade, foi a minha vez de começar a gemer sem me conseguir conter.

            - Estás a gozar, caralho? – murmurou-me ao ouvido

            - Estou! – gemi

- Era isto que querias?

            - Era…

            - Também eu, foda-se! – gemeu acelerando ainda mais, arfando com a rapidez do movimento e quase me fazendo gritar com o gozo que me proporcionou… só se ouvia a nossa respiração, gemidos e o som dos seus testículos a baterem contra mim – eu adoro foder!

            - Também eu… ainda mais com alguém que sabe bem o que faz!

Ele acabou por parar passado um minuto, completamente dentro de mim, movendo-se lentamente como que a explorar-me. Não contive um gemido de gozo.

            - Eu sei o que faço? - arfou - sou uma boa foda?

- És fantástico!

            - Também tu, meu! – murmurou-me ao ouvido – eu nem acredito no gozo que estou a ter enfiado no cu de um gajo… é mesmo bom!

            - Nunca se sabe até se provar!

            - Eu adoro mesmo!

            - Então força… eu só tenho o cu para te oferecer, mas é todo teu…

            - Ótimo!

            Até ali tivera o corpo contra o meu, pressionando-me contra o banco do carro, fazendo ele os movimentos para se mover dentro de mim. Agora recuou, descansando agarrado ao banco, puxando-me para trás com ele e fazendo-me a mim cavalgar.

            - Isso! – gemeu – gostas assim?

            - Gosto de todas as maneiras! – suspirei deliciado

            - Ótimo!

            Ele era mesmo bom naquilo… melhor que muitos gays com quem eu já estivera… atento, cuidadoso, quando eu começava a sentir que estava seco, ele sentia o mesmo e colocava mais saliva, voltando a conseguir deslisar melhor.

            Umas vezes entrava até eu não conseguir aguentar mais e apenas se movia muito lentamente dentro de mim, outras vezes recuava quase até sair e movia-se rapidamente só na entrada, outras ainda, saia completamente, voltando a forçar a entrada, uma e outra vez, quase me fazendo gritar de prazer.

            - Ah gostas assim? – senti-o rir quando o fez pela primeira vez

            - Eu já vi que contigo gosto de todas as maneiras! – gemi

            Repetiu o que tinha feito mais vez e avançou até ao fundo de mim. Foi impossível evitar um grito abafado. Senti-o empurrar-me novamente contra o banco e senti-o acelerar…

            - Não aguento mais, foda-se! – exclamou

            Manteve o ritmo rápido durante um minuto, pressionando o seu corpo contra o meu, apertando-me contra o banco… ouvi a sua respiração acelerada, os seus gemidos de gozo e, pouco depois, forçou-se ainda mais fundo, parando e soltando um grunhido de prazer…

            - Foda-se, meu… foda-se….

            Senti-o estremecer contra mim, parando finalmente.

            Acabou por se retirar e recuar. Quando o encarei estava de braços apoiados no tablier do carro, ainda a tentar controlar a respiração e com um sorriso nos lábios.

            - Bela foda! – foi o seu comentário

            - Foi fantástico! – concordei

            - Gostaste mesmo?

            - Estás a brincar? Foste fantástico!

            Ele riu-se tirando o preservativo.

            - Nunca tinha montado um gajo!

            Sorri.

            - Não é a mesma coisa, mas não é assim tão diferente…

            - Eu gostei! – disse – ainda bem que resolvi sair… já vou consolado…

            - E eu… já estava a precisar de um homem a sério….

            Foi a vez dele sorrir.

            - Sabes fazer um gajo sentir-se bem…

            - A ideia era essa… queria que tivesses gostado tanto como eu!

            - Não sei… mas gostei mesmo muito! Que horas são?

            Sobressaltei-me quando olhei para o relógio do carro. Ele olhara para o pulso ao mesmo tempo.

            - Foda-se! – exclamou dando um salto também… o comboio era dali a 2 minutos

            Puxamos as calças rapidamente… eu nem apertei as minhas, arranquei logo, com ele a abotoar-se aos trambolhões. O comboio já estava na estação. Fui diretamente para a entrada, parando numa zona reservada aos transportes públicos, mas ele estava a atravessar as portas da estação quando o comboio arrancou.

            - Foda-se! – exclamou atirando o saco para o chão

            - Desculpa! – disse sem saber mais o que comentar – a que horas é o próximo?

            - Não chego a tempo… quando chegar a Setúbal, já partiu o último de lá… puta que pariu! Depois só às cinco da manhã… fodi-me… vou passar a noite na estação de setúbal!

            - Podes ir mais tarde? – perguntei – mais tarde que as cinco da manhã?

            Olhou-me surpreendido.

            - Porquê?

            - Se quiseres podes ficar comigo… amanhã venho-te cá trazer…

            - Contigo… em tua casa?

            - Se quiseres…

            - Moras sozinho?

            - Moro!

            Encostou-se ao carro, de braços cruzados, fixando-me nos olhos.

            - E queres que fique contigo?

            - Eu adorava…

            Sorriu um pouco.

            - Vais-me compensar por ter pedido o comboio?

            - Se deixares…

            Virou-me as costas para pegar no saco e atirou-o para o banco de trás. Sentou-se e fechou a porta.

            - Vamos embora! – disse começando a apertar o cinto

            Contornei o carro a correr.

 
            Tive um fim-de-semana absolutamente fantástico porque ele só saiu de minha casa na segunda-feira de manhã para voltar a Lisboa.